Mostrando postagens com marcador Vincent LoBrutto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vincent LoBrutto. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Homem Que Não Dormia


Eis a história, em sinopse:

Numa mesma noite, cinco pessoas de uma cidadezinha do interior são acometidas por um mesmo pesadelo envolvendo um homem sinistro e um tesouro enterrado. Com a chegada de um misterioso peregrino, o vilarejo é arrebatado da rotina medíocre e os personagens são lançados num vórtice de acontecimentos insólitos. Será assim que cada um terá sua verdade trazida à luz e se libertará do jugo perverso das hipocrisias, medos e doenças, assumindo as rédeas de seus destinos e reescrevendo suas vidas.

Qual seria, então, o papel da arte em “O homem que não dormia”? Muito além de apenas construir os cenários, a equipe da arte deveria deixar disponíveis para os outros componentes do filme (principalmente fotografia, elenco e direção) todos os indícios e truques visuais para viabilizar: o pesadelo, o mistério, a peregrinação. Além disso, deveria criar este vilarejo que cercava as vidas monótonas, dar-lhe vida, formato e uma identidade, mesmo que enfadonha. Deveria ainda expressar visualmente como estas mudanças e desvelamentos revolucionariam as vidas dos relacionados personagens principais – quase como um reforço “positivo” para confirmação das mensagens pretendidas e ações desenvolvidas pelos atores e atrizes do filme.

A equipe da arte deveria, portanto, fertilizar o campo das estruturas físicas e visuais, dando base para que todo o processo dramatúrgico e o fotográfico fossem possíveis.

O Departamento e a Direção de Arte – Um breve conceito

Se formos buscar por uma definição para “Direção de Arte” em inglês, a inclinação direta de tradução para o termo seria “Art Direction”, o que se configura como um grande equívoco. Muitos são os livros e dissertações que foram e são escritos sobre a produção cinematográfica em seus mais diversos âmbitos. Assim sendo, a direção de arte não poderia ficar à margem desta elaboração de conteúdo. Em Hollywood e nos países de língua inglesa este ofício é designado como Production Design. “O designer é o agente que cria o conceito visual de um filme através do design (concepção e criação de uma idéia) além de coordenar a construção de cenários físicos, da realidade visual. Ele se constitui como a força criativa do departamento de arte[1]”.
A aparência e estilo de qualquer produto fílmico são criados pela imaginação, artisticidade e colaboração da tríplice formada pelo diretor, pelo diretor de fotografia e pelo diretor de arte. Este último é o responsável pela interpretação do roteiro e da visão do diretor, transformando-as em ambientes físicos nos quais os atores podem desenvolver seus papéis e a sua história. A definição mais exata do processo de “design de produção” se dá por intermédio de algumas outras funções ou substantivos, tais como: metáforas visuais; palheta de cores; projetos arquitetônicos de determinadas épocas; locação; design[2] e SETS. São ainda delegadas a este designer a coordenação e escolha dos figurinos, da maquiagem, da caracterização, dos cortes e estilos de cabelo. O diretor de arte usa sketches, modelos, ilustrações, fotos, colagens, maquetes, entre outros, tudo em prol da construção desta identidade visual que necessita, muito além da arquitetura, de espaço, décor, tonalidade e texturas[3]. Estando à frente das decisões conceituais do departamento de arte (e diplomáticas com os outros diretores), ele opera com um grande time o qual transporá para realidade efeitos criativos nascidos das referências, estudos e sketches.





A ARTE é a maior de todas as equipes que compõem a produção de um filme e envolve a contratação de profissionais de diversos perfis para executar funções multifacetadas, todas em favor da construção de um mundo “real” e “físico” tomando como base as descrições e palavras contidas no texto cinematográfico – o roteiro. Estas funções e os seus agentes produtores são:
a) a composição do visual do filme (como coloração, texturas e referências) e cenários: Diretor (a) de Arte, do Cenógrafo, Cenotécnicos, Produtor de Arte, Contra-regra, Pintor de Arte, Produtor de Objetos e seus respectivos assistentes e/ou estagiários;
b) a confecção e escolha de figurinos para elenco e figurantes: Figurinista, modelista, Produtora de Figurino, Costureiras e todos os respectivos assistentes e/ou estagiários;
c) a caracterização e maquiagem dos personagens: maquiadora (s), cabeleireira e assistentes;
d) efeitos-especiais: um técnico responsável pelos efeitos e assistente(s).

Os assistentes e mão-de-obra (não especializada) recrutada no local onde estão sendo realizadas as filmagens (seja em uma pequena cidade, num estúdio ou em um bairro de uma metrópole) são as mais numerosas e freqüentes. Como a Cenotecnia envolve um grande canteiro de obras, pedreiros, marceneiros, serralheiros, etc., são sempre necessários para concretização das construções e reformas. Da mesma maneira, o pintor de arte e produtores de objetos também necessitam de um número de pessoas (fora da equipe de Arte) que efetivem de modo eficiente e mais rápido, respectivamente, a pintura de fachadas ou que possam carregar móveis grandes e pesados durante a desprodução, por exemplo.

[1] Tradução da autora do presente texto para o fragmento: “Production designer delivers the visual concept of a film through design and construction of physical scenery. The designer is the seminal, creative force of the art department.” Retirado do livro The art direction handbook for film, de Michael Rizzo, página 3.
[2] O termo deriva, originalmente, de designare, palavra em latim, sendo mais tarde adaptado para o inglês design. Denomina-se design qualquer processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção, elaboração e especificação de um artefato. Esse processo normalmente é orientado por uma intenção ou objetivo, ou para a solução de um problema. Retirado do link:
[3] Adaptação traduzida – da autora do presente texto (Emilly Dias) – sobre o primeiro capítulo “What is Production Design?” do livro The filmmaker's guide to production design, de Vincent LoBrutto.